Aos 61 anos, Zico brilha com passes e gol no Jogo das Estrelas

O placar foi o que menos importou (10 a 9 para os rivais). O que valeu mesmo na 11º Jogo das Estrelas, promovido por Zico, no Maracanã, neste sábado, foi a festa, que proporcionou aos 51.540 torcedores presentes um belo encontro de gerações. Entraram em campo de Ademir da Guia, 72 anos, a Felipe, de 8, neto do eterno ídolo do Flamengo.

Conhecido pela visão de jogo, aos 61 anos, Zico ainda pensa o futebol como poucos, a começar pela escolha do tema de sua festa beneficente de fim de ano. A homenagem aos estrangeiros que fizeram sucesso no Brasil é emblemática de uma temporada em que as ilusões do hexa terminarem nos 7 a 1 da Alemanha sobre a seleção, na Copa do Mundo em casa. No momento em que o torcedor brasileiro anda inferiorizado, o encontro entre os gringos e os “locais” serviu para marcar diferenças e reforçar a admiração e respeito mútuos.

— Minha sambadinha foi de português, né? — brincou Zico sobre a comemoração do seu gol, dançando ao lado de Robinho, no ritmo das idas e vindas que o futebol oferece. — Falei que ia parar, mas depois que o Ademir da Guia, com 72 anos, confirmou, eu me senti obrigado. Não tenho problema de ser o Sílvio Caldas do futebol.

A referência ao cantor, que adiava a despedida, reforça a necessidade de perseverar quando tudo parece acabado. De volta ao Maracanã, onde se tornou ídolo rubro-negro e também atuou por Vasco e Fluminense, Petkovic foi saudado pela torcida como se ainda vestisse a camisa de um dos três times.

— Os jogadores continuam tendo muita qualidade — saudou Pet, diante do público de 51.540 presentes.
Quando Seedorf deixou o Botafogo no fim de 2013, os horizontes traziam a disputa de uma Libertadores ao alvinegro e a esperança do hexa para a seleção. Um ano depois, ao voltar ao Brasil, o holandês encontrou o ex-clube rebaixado e o futebol local ainda sob o impacto do vexame. Conhecido como “Professor”, ontem, Seedorf não estava disposto a dar lição em ninguém:

— É sempre especial voltar e me divertir ao lado de quem fez a História do futebol brasileiro e mundial. O mais importante é a causa — disse Seedorf, satisfeito com a boa presença do público. — É bom ver que todo mundo está gostando dessa iniciativa. Zico é uma pessoa do bem e tem essa capacidade de juntar as pessoas.


SE SALAZAR SOUBESSE...

Até o grande público do jogo, que já faz parte do calendário da cidade, serve para medir a carência do futebol carioca. Sem motivos para comemorar na temporada, só resta ao torcedor celebrar o passado. Impressionado com clima de decisão em torno do Maracanã, Renato Gaúcho reconheceu que a situação dificilmente se repetirá nos jogos do Campeonato Carioca, que começa em fevereiro.

— Quem veio sabia que veria ídolos que fizeram muito por seus clubes, Infelizmente, a realidade do futebol carioca é triste, com jogos de pouco apelo — disse o ex-atacante Renato, hoje técnico desempregado à espera do aquecimento do mercado. — Falta investir mais na base. Hoje, o Brasil só tem um craque no alto nível internacional, que é o Neymar.

Na ausência do astro do Barcelona, Robinho, do Santos, foi o mais festejado pela criançada. Entre os mais velhos, todas as reverências eram para o dono da festa. Maior ídolo rubro-negro e artilheiro do Maracanã (333 gols em partidas oficiais), Zico só não era unanimidade na família. Seu pai, o saudoso seu Antunes, dizia que os irmãos Edu e Antunes eram os melhores daquela casa portuguesa, em Quintino.


Nessa ele errou — disse Edu, antes de lembrar outra passagem, que serve para mexer nas fronteiras do futebol brasileiro. — Meu pai dizia que, se o Salazar, ditador português, soubesse que ele só faria filhos craques, não teria sido autorizado a deixar Portugal.

Apesar da herança genética, foi na cultura do subúrbio do Rio que o talento da família se manifestou. Aos 61 anos, Zico ainda ajuda a pensar o jogo, a começar pela importância da formação, como a que ele teve entre seus irmãos e companheiros do Flamengo. No fim da partida, até um neto do eterno camisa 10, Felipe, de 8 anos, entrou em campo para atuar ao lado do avô. A solidariedade e o espírito coletivo, que dão sentido ao Jogo das Estrelas, serviram também como mensagem de fim de de ano para todo o futebol brasileiro.






Fonte:Jornal Extra



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